quinta-feira, 21 de junho de 2007

Na área gráfica, o Brasil fez a festa

Estamos voltando com excesso de bagagem.

Brasil ficou em segundo lugar. Na frente dos Estados Unidos.

Um exagero. Levando em conta que isto não reflete a realidade da mídia impressa brasileira.

Mas temos honrosas exceções veiculadas e não cabe aqui ficar discutindo os fantasmas.

Vamos as peças:

Na categoria "Best Use of media", gostei muito de um adesivo de Listerine, colocado no teto dos consultórios odontológicos.

Idéia de mídia tipica de criativo.

Essa é a nossa contribuição, caros alunos: chegar em lugares que um mídia nunca chegaria.

Outra peça muito boa: o Outdoor dial do Mcdonald's. Que através da sombra em cima dos produtos mostrava as horas. Muito inteligente.

Não posso deixar de dar os parabéns para os alunos Marcos Almirante e Ulli Braga. O trabalho "soldados marionetes" para Roling Stones, que ganhou LIAA ano passado, ganhou este ano Leão em Cannes agora numa peça para o anunciante Terra. Calma rapazes, coincidências acontecem.

Aliás, eu fico impressionado como o juri não tem memória e premiam idéias já visitadas.
Exemplo: campanha da Revista FHM, que sempre vem com fotos de belas mulheres.Os anúncios têm textos formados por mulheres no lugar da palavras. Algo já feito, ano passado eu acho, para os 50 anos da Volks, onde no texto no lugar das palavras tínhamos carros.
Exemplo 2: mais um anúncio no short list com uma idéia visual baseada nos 4 aros da Audi. Deu, né?

Na linha trash, temos um trocadilho: um anúncio do The Economist e o tradicional all type vermelho onde está escrito Trump Donald. Ui. Mas nesta mesma campanha tem all types ótimos que ganharam Leão.

Quando essa campanha é feita pela galera de Singapura eles têm o hábito de fazer brincadeiras visuais. Na minha opinião na maioria dos casos eles fodem uma campanha brilhante.

The Economist, uma das poucas que ainda ganham leão com o mesmo e brilhante conceito, feitos anos atrás. Prova que um conceito bom é para sempre.

Este ano a galera usou e abusou do photoshop mudando a realidade. Algo que eu tenho ressalvas e que sua prática tinha diminuído de uns anos para cá. Pois é, este ano, o photoshop voltou com força total e ganhou leão.

Uma campanha para um cadeado para bikes. Na foto, as bikes fazem parte da barra pública que normalmente se prende a bike. Para dizer que fica bem presa.

Adorei o anúncio para o Mac café que tem a foto de um grão estourado como se fosse um big mac.

Gosto também de um anúncio onde um dragão bebe spice ketchup como se fosse uma mamadeira.

Interessante ver que anunciantes como nike e pepsi não terem tanta visibilidade este ano.

A campanha Global Warning da Diesel que eu acho muito boa, cínica, entrou só no short list, no lugar de algumas bobagens, truques visuais.

Festival é assim mesmo.

Mas de tudo que eu vi o que mais me agradou foi uma campanha de filmes para Impulse.

Uma campanha corajosa onde o cliente topa sair daquele conceito bacaca para um totalmente moderno.

Lembram "se um estranho oferecer flores isto é Impulse?"

Para anunciar os novos desodorantes, os caras desenvolveram um conceito e roteiros ótimos.
Um deles um rapaz chega na casa da namorada, tarde da noite. Ela abre a porta e ele está segurando uma caixinha como se fosse uma caixinha de alianças, ela toda feliz abre. Mas no lugar das alianças, tem a chave da casa dele. O rapaz na maior naturalidade fala que assim ele não precisa ter o trabalho de levantar e abrir a porta para ela.

Entra o conceito: " Hard times to romanticism, that's why we change. New men. New fragrances".

O pack é uma mulher passando Impulse no corpo.

Inteligente, moderno, ousado.

Todos os filmes são do caralho e seguem este linha.

Leão na certa.

Por hoje é só!

By Paulo André Bione from Cannes

Nenhum comentário: